São pedaços de história que se resumem aqui. Milhares de candidatos às tropas paraquedistas e militares Boinas Verdes, reconhecerão aqui as tradições, os lemas e a identidade de uma tropa especial. Memórias que ficam para toda a vida.
Em 1990, o termo SIVAGE referia-se ao sistema de avaliação psicofísica utilizado pelas Forças Armadas Portuguesas para determinar a aptidão de um militar (ou candidato) para o serviço ou para cursos de especialização, como os paraquedistas. Cada letra da sigla representa um parâmetro específico de avaliação:
S (Superiores): Membros superiores e cintura escapular, I (Inferiores): Membros inferiores e bacia, V (Visão): Acuidade visual e sentido cromático, A (Audição): Acuidade auditiva, G (Geral): Estado geral de saúde e robustez física e E (Emocional): Perfil psicológico, estabilidade e maturidade emocional. Como funcionava a classificação
A cada letra era atribuído um valor numérico (geralmente de 1 a 4). Um perfil SIVAGE 111111 representava um estado de saúde e aptidão ideais. Dependendo da especialidade da "tropa", as exigências mudavam:
1 (apto): Representava a integridade total do parâmetro. É o valor ideal, exigido para unidades de elite como as Forças Especiais (Comandos, Paraquedistas e Operações Especiais).
2 (apto com limitações ligeiras): Indicava uma pequena alteração que não impede o serviço militar geral, mas que pode excluir o candidato de certas especialidades mais exigentes.
3 (apto para serviços moderados): Refletia limitações mais significativas. Geralmente, este valor permite o serviço em funções administrativas ou de apoio, dependendo das tabelas de inaptidão vigentes.
4 (inapto): Indicava uma patologia ou limitação que impede a prestação de serviço militar, como paraquedista, na função pretendida ou de forma absoluta.
Todos se lembrarão dos apontamentos que tiravam durante as instruções, certo? Aqui vão alguns exemplos.
Falsa baiana, Paliçada, Cavalo de pau elevado, Vala labirinto, Janela, Trave de equilíbrio, Rede de rastejar, Barrote com toros, Corda ventral, Túnel de cimento, Piano, Plano inclinado com poldras, Túnel, Vala, Galho, Concertina, Paralelas
"Instrução dura, combate fácil"
"Só vence, quem acredita na vitória"
"O suor poupa o sangue"
"É perante o obstáculo, que o homem se descobre"
"Se é possível, está feito, se é impossível, há-de fazer-se"
"Audácia, prudência, caminho para o êxito"
"Todos os Páras são voluntários, nem todos os voluntários conseguem a boina verde"
Veja também:
Fotos do dia-a-dia de um curso de paraquedismo
A continência militar é a saudação formal e regulamentar usada pelas forças armadas e de segurança para manifestar respeito, disciplina e hierarquia. Consiste num gesto enérgico com a mão direita à testa, indicando cumprimento a superiores, pares, símbolos nacionais (Bandeira/Hino) ou autoridade, sendo obrigatória a retribuição.
Principais Aspectos da Continência Militar:
Execução: A mão direita é levada à lateral da cabeça (pala da cobertura ou sobrancelha), com os dedos unidos e estendidos, palma da mão voltada para baixo ou ligeiramente para o rosto.
Significado: Representa respeito mútuo e disciplina, não sendo apenas uma subordinação pessoal, mas um cumprimento à autoridade.
Origem: Acredita-se que surgiu na Idade Média, quando cavaleiros levantavam a viseira do elmo para identificar-se. Outra teoria aponta para o século XVIII, quando soldados britânicos simplificaram o ato de retirar o chapéu.
Tipos: Pode ser individual (a pé firme ou em marcha) ou coletiva (tropa formada), podendo também ser prestada com armas (espada, espingarda).
Hierarquia: A iniciativa da continência cabe ao militar de menor patente, sendo o superior obrigado a retribuir.
Meia-volta à paraquedista
Fardamento utilizado pelas tropas paraquedistas desde a década de 1960.
As várias formas de equipar para salto, ao longo dos anos.
[Compilação do Soldado Para (D) Jorge Martins]
O que somos? Amigos!
O que queremos? A Alvorada!
O que amamos? O perigo!
O que tememos? Nada!
Em posição! Já!
Origens do culto, em França e no Reino Unido
Não é fácil saber com rigor como começou esta ligação entre o Arcanjo e os Paraquedistas! Investigando as fontes disponíveis, chega-se à certeza que em França, onde este culto está muito enraizado nos paraquedistas, isso deve-se ao 1.º Regimento de Caçadores Paraquedistas (1.º RCP). Foi o capelão militar desse regimento, padre Valin de la Vaissieres, que o propôs em 1945 e assim os paraquedistas franceses passaram a pedir a proteção do Arcanjo São Miguel. O padre Jego capelão do 3.º Batalhão do 1.º RCP apoiou e, em 1948, durante uma missa celebrada na Catedral de Hanói, este capelão Jego terminou o seu sermão com uma frase que passou a encerrar os discursos (ou alguns?) dos comandantes dos regimentos de paraquedistas: “E por São Miguel, vivam os paraquedistas!”
Antes disto tudo, no entanto, são as próprias fontes francesas que o admitem, haver relatos de 1944 atestando que um capelão militar britânico entregou medalhas com a imagem de São Miguel a militares dos SAS - Special Air Service - que iam saltar em solo francês para se juntarem à Resistência. Essas medalhas representavam São Miguel no anverso e Santa Joana D'Arc no verso.
Em Portugal
Também não é fácil descortinar quando começou esta ligação, mas sabe-se como! «…Na Capela do Regimento de Caçadores Paraquedistas ocupa lugar de destacado uma bela imagem de São Miguel, do Século XVIII, oferecida, há anos, pela 1.ª paraquedista portuguesa D. Isabel Rilvas, de Lisboa…» escreveu o capitão capelão paraquedista Pinho (António Pinho Nunes) no jornal “boina Verde” em Dezembro de 1972.
Pode haver outras referências mais antigas ao Santo mas esta foi a que se descobriu…até agora. E continua o capelão Pinho nesse artigo intitulado “S. Miguel, Padroeiro Universal dos Paraquedistas”: «…do facto de S. Miguel ter chefiado os anjos milícias fiéis a Deus contra Satanás (refere-se ao escrito na Bíblia), parece ter surgido a devoção a S. Miguel entre os paraquedistas. Entre os paraquedistas portugueses não existe praticamente culto privado ou público a S. Miguel. Mas interessa que comece a existir… …Em França parece que S. Miguel é mais conhecido entre os paraquedistas e sabe-se que todos os anos, no dia 29 de Setembro, dia do Arcanjo, os paraquedistas e ex-paraquedistas, militares e civis, vão em peregrinação ao Monte de Saint Michel na Bretanha, venerá-lo no seu templo…»
Texto de Miguel Machado
Lema do Batalhão de Instrução
"Instrução dura... Combate fácil"
Lemas dos Batalhões operacionais
"Nós outros cuja fama tanto voa" [1º Batalhão de Infantaria Pára-quedista]
"Diversos céus e terras temos visto" [2º Batalhão de Infantaria Pára-quedista]
"Ao vento leve e à seta bem talhada" [3º Batalhão de Infantaria Pára-quedista]
Lemas da ETAT / ETP / RPARA (Escola de Tropas Aerotransportadas / Escola de Tropas Pára-quedistas / Regimento de Pára-quedistas)
"Que nunca por vencidos se conheçam" [Escola de Tropas Aerotransportadas]
"Deixa arder em ti a chama de ser Prec" [Companhia de Precursores Aeroterrestres]
"Um dobrador não erra... Nunca!" [Companhia de Equipamento Aeroterrestre]
"Seguros e confiantes... Sempre!" [Companhia de Abastecimento Aéreo]
"Para saber combater" [Companhia de Formação de Graduados]
"Podemos não voltar, mas vamos" [Companhia de Pára-quedistas 312 do BP31]
Lemas da AMSJ (Área Militar de S. Jacinto / Regimentos de Infantaria 10)
"Voar co pensamento a toda a parte" [Área Militar de S. Jacinto - Aveiro]
"Diante o ferro e fogo nos erguemos" [Companhia Anti-Carro]
Lemas do RI15 (Regimento de Infantaria 15)
"Firmes e constantes" [Regimento de Infantaria 15 - Tomar]
Lemas das outras Unidades do CTAT (Comando das Tropas Aerotransp)
"Em quem poder não teve a morte" [Comando das Tropas Aerotransportadas]
"Se fizeram por armas tão subidos" [Brigada Aerotransportada Independente]
"Fortes e Leais" [Grupo de Artilharia de Campanha da BAI - Leiria]
"Contém connosco" [Companhia de Engenharia da BAI - Tancos]
"Na guerra conduta mais brilhante" [Regimento de Cavalaria 3 - Estremoz]
"Conduta brava e em tudo distinta" [Regimento de Infantaria 3 - Beja]
"O céu e a terra espanta" [Regimento de Artilharia Anti-aérea nº 1 - Queluz]
Lemas de Unidades / Sub-Unidades extintas
"Honra-se a Pátria de tal gente" [Corpo de Tropas Pára-quedistas]
"Famosa gente à guerra ousada" [Base Operacional de Tropas Pára-quedistas nº 2 - Aveiro]
"Gente ousada mais que quantas" [Base Operacional de Tropas Pára-quedistas nº 1 - Monsanto]
"Adsum" [G.O.A.S - S. Jacinto - Aveiro]
"Sempre em eficácia" [Companhia de Morteiros Pesados - S. Jacinto - Aveiro]
"Fomos e sempre seremos" [Associação de Pára-quedistas do Algarve]
No telemóvel, deslize para ver mais
Todos os dias tínhamos um clarim ao pé de nós. Desde a alvorada (às vezes, dentro da camarata), até ao toque de silêncio, passando pelas cerimónias militares.
Toque / clique em cada uma das fotos para ouvir os toques de ordem.
Pai e filho(a), ambos Boinas Verdes
(faltarão aqui muitos, pelo que pode enviar fotos, de ambos, para paraquedistasmilitares@gmail.com)
A incluir, após obtenção das fotos:
- TCor e Sch Morgado
- Sch e Alf Silva (Rogério Silva)
- João Lança e filho
-1Cb Artur Manuel Figueiredo Areias Gil – (Pai da Alf Gil)
- 1Cb Nuno Filipe Marques dos Santos – (Pai da Asp Oliveira)
- Ramiro Ferreira Serra Padrão - ?
- Marciano Cardoso Albuquerque - ?