Companhia de Precursores Aeroterrestres
Quem são os Precs ?
Os
Precursores Aeroterrestres (mais adiante designados por Precs) estão
organicamente colocados no BAAT (Batalhão Aeroterrestre), da ETP. A Companhia
de Precursores Aeroterrestres (CPrecs) constitui encargo operacional da
Brigada de Reacção Rápida (BRR), e um elemento chave vocacionado para a
infiltração aérea, através da queda livre operacional (ver mais abaixo "SOGAS")
Até
há pouco tempo praticamente desconhecidos pela sociedade em geral e
mesmo nas Forças Armadas, este pequeno grupo é considerado a elite dentro da
elite dos pára-quedistas. Com participações em
inúmeros exercício no território nacional e no estrangeiro, os Precs
empenham-se na sua missão com bastante profissionalismo. Prova disso, são
os inúmeros exercícios em que a CPrec já participou e participa.
Os militares que integram esta Companhia estão qualificados em
precursores. Esta qualificação é obtida após frequência, com aproveitamento,
da respectiva formação, ministrada na ETP.

Missão
Os Precs têm como missão:
-
Reconhecer e operar Zonas de Aterragem de aeronaves de asa fixa e móvel, e
de Lançamento de pára-quedista, estabelecendo as
ajudas necessárias à navegação e às comunicações de controle de tráfego
aéreo, em condições de ambiente hostil e austero.
- Efectuar reconhecimentos em proveito do
Comando da operação aerotransportada
- Efectuar operações de acção directa de carácter limitado
 
 
 
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A Formação em Precursor
Esta formação é necessária para que se possa candidatar ao Curso de Queda
Livre Operacional (vulgarmente chamado de SOGA - Saltador Operacional a
Grande Altitude).
Como se chega a "SOGA"?
Para se deter a qualificação "SOGA" é necessário passar por diversas fases
na carreira aeroterrestre (leia-se formação), em que é necessário estar
qualificado com um determinado curso, para se poder candidatar ao seguinte.
A "carreira aeroterrestre" começa então assim:
1º – Curso de pára-quedismo militar
2º – Curso de Operações Aeroterrestres
3º – Curso de Instrutor de Pára-quedismo
4º – Curso de Precursor Aeroterrestre
5º – Curso de Queda livre operacional (SOGA)

Um salto de infiltração HAHO
Para a execução dum salto HAHO (High Altitude High Opening), são
necessários bastantes passos sequenciais, de modo a permitir uma execução
segura, com um mínimo de riscos.
Pedidos prévios
Implica requerer o meio aéreo para o salto, o apoio sanitário e logístico, e
ainda a prevenção da câmara hipobárica do hospital da FAP, Fisiologistas de
voo do Centro de Medicina Aeronáutica, entre outros.
Planeamento
Implica obter previsão meteorológica para o dia previsto, executar cálculos
prévios para determinação da ZL (Zona de lançamento mais
apropriada), coordenar os pedidos necessários, estimar custos, etc
Reconhecimento e coordenações
Significa
obter dados sobre a Zona de lançamento, saber se tem as condições para os
saltadores aterragem, e uma zona de aterragem e descolagem de helicóptero
(para evacuações sanitárias). São feitas ainda coordenações com a Esquadra
da Força Aérea, no que respeita a procedimentos no interior da aeronave
(normalmente a Esquadra 501 - Aviões C130, sediados na BA6 - Montijo)
Saltadores
Nomear os saltadores para o salto (implica procedimentos prévios a
seguir por parte destes, por exemplo, ausência de álcool, comidas e
bebidas gasosas, treino físico controlado, ausência de constipações ou
derivados, e dormir no mínimo 8 horas na noite que antecede o salto,
entre outras precauções)
Preparar material, programar carta / GPS
Supõe preparar individualmente mochila e arma para o salto, inspecções,
ensaios e revisões. Traçar infiltração na carta, ou programar GPS com o
itinerário aéreo previsto.
Antes do salto
Obter condições meteorológicas actualizadas, efectuar cálculos, executar
briefings de segurança aos saltadores, tripulação e pessoal de apoio na
aeronave e no solo. Equipar para o salto, inspecções, sentar e aguardar.
Embarque na aeronave e inicio da denitrogenação
Significa,
muito resumidamente, respirar oxigénio puro (100%), para colmatar a ausência
dele a grande altitude. Por exemplo, para um salto a 30000 pés (10 Kms) é
necessário respirar oxigénio puro durante meia hora.
Subida
Durante a subida
da aeronave, os saltadores são informados das condições meteorológicas e
inspeccionados frequentemente. São ainda feitos os avisos de tempo para o
salto e outras informações pertinentes). Caso o cálculo do PL (Ponto de
Lançamento não tenha sido feito no solo, poderá ser feito durante a subida.
O Chefe de Salto é o responsável pela sua execução, e socorre-se da
tripulação para saber dados meteorológicos
4 minutos
Ao faltarem 4 minutos para a saída, o pessoal de apoio desliga os saltadores
da consola principal, e liga-os individualmente às suas garrafas de
oxigénio.
2 minutos
Aos 2 minutos, os saltadores levantam-se, são feitas as últimas inspecções.
Os pára-quedistas prepara-se para sair.
1 minuto
A um minuto da saída, os saltadores dirigem-se para a rampa do avião pela
ordem já anteriormente estipulada, e aguardam a luz verde.
Luz verde
É
executada a saída individual ou dois a dois. Após a saída, 5 a 8 segundos
depois, os pára-quedistas abrem os seus pára-quedas e iniciam a infiltração
em calote, em direcção à zona de aterragem. Usam a carta topográfica para se
situarem "no terreno" ou o GPS.
Na
imagem à direita, um SOGA prepara-se para sair do Hércules C130 a cerca de
30000 pés de altitude. É um salto HAHO, como se pode verificar pelas calotes
já abertas. A infiltração será o passo seguinte. Como não é possível a
navegação tomando como referência o solo, os saltadores apoiam-se no GPS
para os guiar à Zona de aterragem.
Na
imagem da direita, uma patrulha SOGA executa uma saída individual a 26000
pés. Após a saída, é feita uma pequena queda livre de 5 a 8 segundos, após o
qual os pára-quedistas abrem o seu pára-quedas.
Infiltração e aterragem
Após
a infiltração (que pode atingir os 40 Kms, dependendo das condições
meteorológicas), os saltadores aterragem na Zona de Aterragem previamente
estipulada. Numa situação real, os pára-quedas seriam enterrados ou
escondidos, e os SOGAS iriam prosseguir para a missão. Em tempo de paz, os
saltadores não poderão fazer esforços violentos durante as 24 horas
seguintes, nem poderão efectuar mergulho, entre outras precauções que um
salto desta envergadura implica. Far-se-á em seguida um Debrifing em que se
colocarão duvidas, comentários sobre todo o salto, e opiniões ou sugestões
sobre melhoramentos a adoptar em novas infiltrações. Para já... Este salto
correu bem!
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